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AS CAMINHONETES DODGE NO BRASIL (PARTE II)

Nos anos 90, a Chrysler voltou ao Brasil e ofereceu produtos muito interessantes como a linha Cherokee e Dakota!

A Chrysler retornou ao Brasil nos anos 90 e marcou época com a caminhonete Dakota e os SUV's Jeep Cherokee!

Como vimos na primeira parte, a Chrysler chegou ao Brasil na segunda metade dos anos 60 depois de ter adquirido a Simca, assim a empresa passou a produzir sob a marca Dodge seus famosos automóveis com motor V8, além de veículos comerciais e a caminhonete D-100 que não fez sucesso. Os caminhões leves e médios tiveram boas vendas nos anos 70, mas a matriz estava passando por problemas financeiros e a corporação vendeu a filial brasileira para a Volkswagen do Brasil, que continuou a produção dos caminhões até 1985.

No início dos anos 90, o Governo Brasileiro liberou o comércio de carros importados e a Chrysler voltou a vender seus produtos no país. Os produtos da Plymouth e da Dodge ficaram de fora, mas alguns deles foram importadas para o país de forma independente como o belo e feroz Viper e a imponente e bela caminhonete full-size Ram. Outra marca que marcava presença era a Jeep, adquirida pela Chrysler após comprar a American Motors Corporation em 1988.

Ao perceberem o sucesso dos produtos da Jeep e da Dodge na América do Sul, a Chrysler decidiu trazer oficialmente as duas fabricantes para o continente, sendo que a fábrica da Jeep foi para a cidade de Córdoba na Argentina e a Dodge se instalou no Brasil em Campo Largo (PR). A linha Cherokee da Jeep foi uma verdadeira febre nos anos 90, cujas vendas foram muito boas mesmo na época da importação independente, sendo um dos veículos que fez o público brasileiro gostar de SUV’s!

A linha Cherokee da Jeep fez muito sucesso no Brasil nos anos 90, sendo um dos veículos que fez o público aprender a gostar de SUV's!
A linha Cherokee da Jeep fez muito sucesso no Brasil e em outros países da América do Sul e assim montaram uma filial na Argentina!

A filial argentina passou a fazer o Jeep Cherokee Sport, além da linha Grand Cherokee nos modelos Laredo e Limited. Na América do Sul, a Cherokee Sport e a Grand Cherokee Laredo vinham com o mesmo motor: o AMC 242, sendo um seis em linha de 4.0 litros, 177 cv a 4600 rpm e torque de 29,6 kgfm a 3600 rpm. A versão mais luxuosa e cara era a Grand Cherokee Limited que usava o Magnum V8 de 5.2 litros, sendo o velho conhecido LA-318 modernizado e equipado com injeção eletrônica, cuja potência era de 212 cv a 4400 rpm e tinha torque de 39,6 kgfm a 2950 rpm.

Toda a linha Cherokee vendida na América do Sul tinha tração 4×4 + reduzida e câmbio automático de quatro marchas. No Brasil ainda comercializavam a Grand Cherokee Limited LX, feito na Chrysler da Áustria, cujo visual tinha toques esportivos com rodas de desenho exclusivo e seu motor era o Magnum 5.9, versão modernizada do small block LA-360, cuja potência era de 241 cv a 4050 rpm e torque de 48,1 kgfm a 3050 rpm. A LX também tinha tração 4×4 e câmbio automático de quatro marchas, porém era mais rápida, fazendo de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos e chegava 200 km/h de velocidade máxima.

A curta vida da Dodge e da Jeep na América do Sul

A fábrica de Campo Largo passou a fabricar as caminhonetes médias Dakota, que passaram a ser comercializadas a partir de 1998, sendo modelos muito bonitos e atraentes. A caminhonete vinha nas versões cabine simples e estendida e dois pacotes de acabamento: a básica SL e a mais equipada Sport e seus motores, à princípio, eram todos movidos a gasolina. Os modelos básicos usavam o AMC 150, um quatro cilindros de 2.5 litros, com 121 cv a 5200 rpm e torque de 20,1 kgfm a 3250 rpm e os modelos luxuosos vinham com o Magnum 3.9, um V6 com 177 cv a 4800 rpm e torque de 31,3 kgfm a 3200 rpm (o motor era o V8 5.2 com dois cilindros a menos).

Em 1999 veio a Detroit Diesel (integrante do grupo Chrysler na época) que também se instalou em Campo Largo e passaria a fazer motores para equipar a linha Dakota e a Cherokee. O modelo fabricado era um projeto da italiana VM Motori, denominado de Detroit Diesel 2.5, com quatro cilindros, potência de 115 cv a 3900 rpm e torque de 30,6 kgfm a 2000 rpm. Todas as versões vinham somente com tração traseira e uma tonelada de capacidade de carga.

Em 1998 houve um acordo de joint venture dentre as corporações Chrysler e Daimler-Benz, surgindo o grupo Daimler-Chrysler, sendo que uma das primeiras medidas foi enxugar a corporação e isso logo iria afetar a atuação na América do Sul! Era certo que a Dodge não teria vida fácil no Brasil, pois sua rede de concessionárias era pequena em relação à concorrência, mas a filial também cometeu alguns deslizes como não oferecer tração 4×4 e versão cabine dupla desde o início da produção (ambos disponíveis nas caminhonetes vendidas nos Estados Unidos).

No ano 2000 a Dodge do Brasil surpreendeu com a versão R/T com um poderoso V8 de 232 cv!
A Dodge Dakota R/T tinha 232 cv e foi o último V8 a gasolina fabricado no Brasil!

No ano 2000 a Dodge surpreendeu quando lançou uma versão que faria a alegria dos entusiastas dos sedans dos anos 70: a R/T que vinha com motor Magnum V8 de 5.2 litros de 232 cv a 4400 rpm e torque de 41,6 kgfm a 3200 rpm. A linha R/T diferia das demais versões por usar rodas com novo desenho e pneus mais largos nas medidas 31×10,5 R15 polegadas e só tinha câmbio automático de quatro marchas com alavanca na coluna de direção.

Vejam um vídeo curto sobre a Dodge Dakota V8 nacional!

Em 2001 foi anunciada a vinda da versão com cabine dupla disponível para toda a linha Dakota, mas ao mesmo tempo a Daimler-Chrysler anunciou o fim da Dodge no Brasil e da Jeep na Argentina para economizar custos. Dessa forma a versão cabine dupla teve poucas unidades produzidas e a Dakota R/T foi o último V8 à gasolina do mercado nacional. Havia planos de lançar a versão 4×4 ainda em 2001 e estudos para usar o motor MWM Sprint 4.07 TCA (igual ao da S-10), além do sedã Neon que já estava em testes, mas tudo foi interrompido, abruptamente, pela nova corporação.

No ano 2000 haviam apresentado a nova Grand Cherokee Limited que era importado e usava motor 4.7 de origem Mercedes Benz, mas com a crise cambial de 1999, o veículo ficou muito mais caro e as vendas da Cherokee no Brasil não seriam mais as mesmas. A Dodge voltaria a marcar época poucos anos depois com a imensa caminhonete Ram 2500, cujo motor Diesel feito pela Cummins causaria um grande alvoroço no mercado mesmo sendo importado! Mas a história do sucesso da Ram e a vinda da Jeep ao Brasil ficará para a próxima, aguardem!

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