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A PRIMEIRA INDÚSTRIA DE VEÍCULOS DO BRASIL!

Conheçam a Grassi – a primeira fabricante de veículos do Brasil!

Os irmãos Luigi e Fortunato Grassi foram um dos milhares de imigrantes italianos que vieram ao Brasil no final do século 19, chegando ao país em 1889. Os irmãos vieram da cidade de Treviso, próxima à Veneza na região norte da Itália. Inicialmente começaram a trabalhar como pintores em São Paulo (SP) e a fama dos irmãos se espalhou na cidade, onde passaram a pintar muitos dos palacetes da burguesia paulistana, inclusive dos famosos ‘barões do café’.

Após alguns anos juntando dinheiro, os irmãos decidem investir num novo empreendimento: a construção de carroças, pois ambos já haviam trabalhado numa encarroçadora na Itália. Em 1904, os imigrantes fundaram a Luiz Grassi & Irmão no centro de São Paulo.

Três anos depois, a empresa recebeu a encomenda para encarroçar um automóvel Fiat e assim os irmãos Grassi se iniciaram no ramo da indústria automotiva, sendo os pioneiros no Brasil! Logo os irmãos se tornaram representantes oficiais da fabricante italiana Itala no país. À princípio a empresa importava carros inteiros, mas logo começaram a trazer somente chassis com mecânica para ser encarroçado no Brasil (prática comum na indústria automotiva na época).

O crescimento da Grassi!

Nos anos 10, a empresa ficaria conhecida somente por Grassi, passou a fazer carrocerias inteiras e até se especializou em confeccionar estofados. Em 1911 a empresa fez seu primeiro ônibus sobre um chassi francês da De Dion-Bouton à pedido da Hospedaria dos Imigrantes. Com a vinda do norte-americano Ford T ao Brasil, a empresa também se especializou em carrocerias para esses automóveis.

Aos poucos, a Grassi foi se especializando em carrocerias para ônibus. No início dos anos 20, a empresa se mudou para instalações maiores e parou de fabricar carroças de tração animal. Em 1923, a Grassi criou uma carroceria de ônibus que se tornaria popular na época com três fileiras de bancos em madeira e sem portas, sendo apelidados de Mamãe Me Leva.

Um dos grandes sucessos da Grassi foi o modelo apelidado de Mamãe Me Leva, sendo um ônibus com carroceria que lembrava um pequeno bonde.
Mamãe Me Leva foi um grandes sucesso da Grassi, tendo carroceria que lembrava um bonde.

A curiosa carroceria que lembra mais um bonde foi um grande sucesso, sendo encomendado pelas principais metrópoles brasileiras e foi um dos pioneiros do transporte coletivo sem trilhos. Graças ao sucesso, a Grassi cresceu rapidamente e conseguiu estabelecer uma poderosa aliança com a General Motors, ficando responsável por todas as carrocerias de caminhões e ônibus.

Mesmo com a crise econômica de 1929, a companhia conseguiu segurar a barra e já contava com mais de 160 funcionários. Sempre antenada às novidades do setor, a Grassi sempre evoluiu com seus produtos e em 1932 fez sua primeira exportação.

Ônibus com apelidos curiosos.

Na época a Grassi não batizava seus veículos e cada modelo era diferente do outro, mas eles ganhavam apelidos populares para designá-los como foi o caso do Mamãe Me Leva. Em 1934, fizeram uma grande carroceria de ônibus sobre chassi da inglesa Thornycroft, onde possuía um segundo nível a partir da metade do veículo e ganhou o apelido de King Kong.

O primeiro ônibus cara chata da empresa foi feito sobre chassi da sueca Volvo e ganhou o apelido de Sinfonia Inacabada por sua frente não ser recuada como era de costume na época. Um outro veículo curioso foi feito sobre chassi da inglesa AEC (Associated Equipment Company) que usava padrão inglês, com assento do motorista isolado do resto do ônibus, e lhe rendeu o apelido de Camões, pois o poeta português era cego de um olho.

Outro modelo de apelido curioso foi o Camões, pois a frente com cabine frontal só pro motorista fazia lembrar um caolho, como o poeta português.
Camões foi um ônibus feito no padrão inglês, onde o motorista vai sentado ao lado do motor.

Dentre os anos 30 a 50 a Grassi se consolidou como uma grande fabricante de ônibus, sendo que faziam cada vez menos carrocerias para automóveis e caminhões. A empresa ainda faria algumas experiências no setor ferroviário, como um interessante modelo streamline feito em 1937 para a EFG (Estrada de Ferro Goiás).

No ano de 1950, Grassi se mudou para grandes instalações fora do centro de São Paulo e assim abandonaram completamente o trabalho em madeira, passando a trabalhar somente com aço. Nessa década a companhia fazia trabalhos especiais como carros fúnebres e os famosos Papa Filas (caminhões com carreta para transporte de passageiros). Com a vinda da indústria nacional, a empresa ainda fazia carrocerias para modelos importados.

Os primeiros ônibus com nome.

O modelo Sertanejo, lançado em 1958, o primeiro a ter nome oficial, que era um modelo rústico estilo jardineira feito para o mercado interiorano e rural, podendo usar chassi Ford ou Chevrolet. No mesmo ano, a Grassi fez o primeiro trólebus nacional em conjunto com a fabricante norte americana Marmon-Herrington com 85% dos componentes nacionalizados e capacidade de 114 passageiros (sentados + em pé).

Sertanejo era o típico ônibus com frente de caminhão (popular jardineira) que era um modelo rústico para o transporte rural.
Sertanejo foi o primeiro modelo de ônibus da empresa com um nome de modelo (na imagem, um exemplar com mecânica Chevrolet.

Os trólebus da Grassi ganharam fama de serem robustos e confiáveis, sendo que em cidades como Araraquara (SP), exemplares foram usados por mais de 30 anos! O modelo Argonauta foi lançado em 1962, um modelo rodoviário com linhas inspirados nos ônibus norte-americanos (algo comum na época) e estava disponível para usar chassis de qualquer montadora nacional.

Quando a empresa comemorou 60 anos de atividades em 1964, a Grassi era a maior fabricante de carrocerias para ônibus da América do Sul e fabricava em média de 80 exemplares por mês. No mesmo ano, a Grassi criou o Tatu – um modelo blindado para a Patrulha de Choque de São Paulo, também conhecido por VDT (Veículo para Dispersão de Tumultos), montado sobre chassi International Harvester.

Depois do auge, o declínio…

Depois disso a Grassi caiu num turbilhão de problemas que acabariam com a companhia. Apesar da longa tradição na montagem de veículos e ser a maior fabricante do setor, a empresa não modernizou o sistema administrativo e nem seus produtos, passando a sentir o peso da concorrência. O Grupo Walter Godoy (Crisval) adquiriu a maior parte da Grassi, porém os planos ambiciosos da nova proprietária comprometeram a saúde financeira da empresa.

No mesmo ano criaram novos modelos com o rodoviário Presidente e o urbano Governador e em 1968 criaram dois novos produtos: o rodoviário Presidencial, feito para usar chassi com motor traseiro, e o urbano Panorâmico. Em 1969, o grupo Itatiaia de concessionárias Mercedes-Benz adquire a Grassi.

Apesar do alto crescimento até na metade dos anos 60, o declínio da Grassi foi muito rápido, falindo em 1970.
Presidencial foi um dos últimos produtos da Grassi, antes da empresa encerrar as atividades em 1970.

Ainda que os novos produtos da Grassi fossem bons, a estrutura da fábrica precisava passar por modernizações e estabelecer uma gestão sólida e competente. Entretanto, apesar da companhia ainda ocupar o terceiro lugar em vendas totais de carrocerias ao final dos anos 60, o setor de transporte rodoviário entrou em crise ao final da década, fazendo o novo proprietário interromper a produção e vender suas instalações e maquinários em 1970, encerrando as atividades da primeira fábrica de veículos do Brasil…

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