No século 21, a caminhonete Ram e o Jeep Renegade fizeram muito sucesso no Brasil!

Como vimos nos artigos anteriores, a Dodge veio ao Brasil nos anos 60 carros e sua linha de veículos comerciais fez relativo sucesso, porém sua caminhonete não fez. A Volkswagen acabou comprando a Chrysler do Brasil já que a matriz estava passando por problemas financeiros e os veículos da Dodge foram comercializados até na metade dos anos 80. Nos anos 90 a Chrysler volta ao Brasil e também na Argentina, porém o novo grupo Daimler-Chrysler decidiu encerrar as operações tanto no Brasil quanto na Argentina, não dando nem tempo de conseguir conquistar o mercado.
Os produtos da Chrysler continuavam a ser vendidos no país, mas aquela força dos anos 90 havia ido embora: os veículos da Jeep eram muito caros e os automóveis da Chrysler, apesar de interessantes, tinham vendas discretas. A situação mudou quando alguém da Chrysler do Brasil teve a brilhante ideia de importar a Dodge Ram 2500 com motor turbo Diesel! No início dos anos 2000, a GM decidiu encerrar as vendas da Silverado e da GMC 3500 HD, deixando o mercado livre para a Ford com sua bela e imponente F-250, se tornando na única caminhonete full-size comercializada no país. Mas a Dodge decidiu atacar em 2005 com a Ram 2500 que oferecia algo indisponível na F-250 brasileira: a tração 4×4!
A versão vendida da Ram 2500 era a versão SLT cabine dupla. Seu espaço interno na traseira não era tão generoso quanto o da F-250 cabine dupla, mas ainda era muito aconchegante e superior a de que qualquer caminhonete média da época. Mas com certeza o maior trunfo da Ram 2500 estava em seu motor Cummins ISB-6: um seis cilindros em linha de 5.9 litros, com quatro válvulas por cilindro (24 no total), sistema de injeção eletrônica common rail e equipado com turbo/intercooler fazendo sua potência chegar a espantosos 330 cv a 2900 rpm e torque de 83 kgfm a 1600 rpm, sendo quase o dobro da rival F-250 e quase o triplo de algumas caminhonetes médias da época! Nada no mercado tinha tamanha potência e torque!

Para 2006 a Ram passa a vir com a frente reestilizada e começou as vendas da versão cabine simples que, ao contrário de todas as full-size vendidas no país até então, tinha um pouco mais de conforto ao passageiro no assento do meio, já que sua transmissão automática de quatro marchas tinha alavanca na coluna de direção. Diante disso, a Ford foi obrigada a tomar uma atitude diante da ameaça importada do México, pois as vendas da caminhonete Dodge foram muito boas! Mesmo trocando de motor, a F-250 ainda estava devendo muito em potência em relação à rival, já que optaram em oferecer um produto mais simples e robusto. A potência encheu os olhos de quem tinha dinheiro para comprar uma caminhonete à Diesel e seu desempenho era muito bom, tanto pra passeio quanto para trabalho.
A verdade é que a grande maioria só ‘transportava vento’ na Ram e como o real começou a se valorizar diante do dólar, teve muitos endinheirados que trouxeram kits para aumento de potência feitos por empresas como a Bully Dog e Banks, ambas norte americanas, fazendo a potência subir na casa dos 500 cv ou até mais, mas muitos se esqueceram de reforçar o câmbio, que mal dava conta do motor original e assim houve muitos relatos de câmbios detonados.
Ram: de modelo da Dodge a marca própria
A Dodge também trouxe a versão Big Horn, que oferecia mais itens de conforto em relação à SLT normal e, com o real se valorizando diante do dólar, ocorreu algo curioso: uma época a Ram ficou um pouco mais barata do que a F-250! O fenômeno fez as vendas das caminhonetes Dodge serem ainda melhores, mas nem tudo eram flores, porque a caminhonete tinha PBT superior a 3500 kg em todas as versões, as classificando como “caminhões” (elas precisam de carta C para guiar) e em algumas metrópoles sua circulação passou a ser restrita ou proibida.
Assim o público alvo mudou, onde a grande maioria das vendas passou a se concentrar no interior ou cidades grandes que não possuem restrições. As vendas foram muito boas, mas a Dodge parou de comercializar as caminhonetes em 2010. A Chrysler estava sendo reorganizada por sua nova proprietária: a corporação italiana Fiat e a nova geração só veio ao Brasil em 2012, sendo que Ram tinha se tornado numa marca própria.

Na verdade praticamente nada havia mudado, pois por fora a caminhonete continuou igual aos vendidos pela marca Dodge. A nova geração da Ram 2500 era muito bonita, com linhas mais angulosas e agressivas que acompanhavam um pouco os traços dos carros esportivos da Dodge como o Magnum e o Viper e sua aparência ficou ainda mais robusta e imponente. A versão escolhida para o mercado brasileiro era a cabine dupla na versão luxuosa Laramie dotada de muitos itens de conforto a deixando mais próxima de um carro de luxo, mas a robustez respirava por toda a caminhonete.
A maior novidade era seu conjunto mecânico, agora com um câmbio automático de seis marchas e um motor ainda maior que o anterior: o Cummins ISB de 6.7 litros, entretanto para homologação no Brasil, ficou menos potente do que a anterior, ficando com potência de 310 cv a 3000 rpm e torque um pouco maior de 84,6 kgfm a 1500 rpm, mas mesmo assim muitos adoraram a novidade mecânica. A versão cabine simples não foi oferecida na nova geração, mas mesmo sendo bem aceita, a Ram 2500 foi vendida por pouco tempo, pois em 2013 a empresa parou de oferecer a brutamontes.
O Jeep feito no Brasil
Porém a Fiat tinha planos com a marca Jeep no Brasil, onde apostaram num pequeno SUV de vocação mais urbana que seria feito numa nova fábrica na cidade de Goiana, no estado de Pernambuco, e ficou conhecido por Renegade. Disponível a partir de 2015, o pequeno utilitário vinha em três versões: a Sport e a Longitude, vindo somente com tração dianteira e equipados com motor bicombustível Fiat E.TorQ (quatro cilindros e 1.8 litros), cuja potência no álcool era de 132 cv (130 cv na gasolina) a 5250 rpm e torque de 19,1 kgfm (18,6 kgfm na gasolina) a 3750 rpm e seu câmbio era manual de cinco marchas na versão Sport e automático de seis na Longitude.

Já a versão top de linha Trailhawk era o único com tração 4×4 e motor Diesel, sendo um modelo de quatro cilindros 2.0, 16 válvulas e equipado com turbo que desenvolve 170 cv a 3750 rpm e torque de 35,7 kgfm a 1750 rpm e era o único a vir com câmbio automático de nove marchas feito pela ZF. A linha SUV com visual ligeiramente retrô fez um sucesso estrondoso, mesmo os mais puristas não curtirem muito o Renegade por não ser tão robusto e não ter tração 4×4 em todos os modelos.
O produto da Jeep logo conquistou a liderança do mercado nacional no segmento, sendo a vinda mais bem sucedida da Chrysler ao Brasil. Com o sucesso do Renegade, a empresa se animou em começar a comercializar um novo SUV enquadrado numa categoria superior: o Compass e trouxeram novamente a Ram 2500, que agora estava mais potente do que nunca e ambos foram lançados em 2016, mas a evolução da Jeep e o sucesso da marca Ram no Brasil continua na próxima parte. Aguardem!